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O cenário nas clínicas de ginecologia e balcões de farmácia mostra o crescimento do desejo de interromper a menstruação e das prescrições de anticoncepcionais de uso contínuo visando o bem-estar de mulheres em diferentes faixas etárias.

Um estudo realizado na Faculdade de Medicina do ABC (São Paulo) revela que 94% dos 1100 médicos entrevistados já prescreveram contraceptivos em regime contínuo com o objetivo, na maioria dos casos, de promover o bem-estar feminino para as mulheres que não gostam de menstruar devido às cólicas, TPM e inchaço. Outro estudo, realizado pela Universidade Estadual de Campinas revelou que 32,5% das mulheres gostariam de parar de menstruar e 40% sonham com uma simples pausa, ficando mais de um mês sem sangramentos.

Mas será que essa atitude realmente é saudável? Mulheres que têm endometriose muitas vezes precisam parar a menstruação por indicação médica. Entretanto, a padronização da interrupção do fluxo menstrual não pode ser feita por conta de nossa individualidade biológica. Hoje se sabe que qualquer método para interromper esse fluxo sanguíneo pode apresentar efeitos colaterais, porém, quando o objetivo consegue ser atingido, a alegria é recompensadora.

Por que devemos menstruar?

Nós menstruamos porque nosso organismo se prepara, a cada mês, para receber no útero o ovo que possa ter sido fecundado. Se a mulher não estiver grávida, o endométrio é eliminado sob a forma de menstruação e começa a se produzir um novo endométrio. Tudo isso ocorre devido aos hormônios que, quanto mais regularmente forem produzidos, mais fértil será a mulher. Na menopausa, o endométrio para de crescer e paramos de menstruar por volta dos 48 anos.

Interromper menstruação é seguro?

A amenorreia, nome dado quando se interrompe o ciclo menstrual por 3 meses, pode ser usada quando se necessita tratar de doenças do fluxo menstrual, como ovários policísticos, cistos ovarianos, etc. Ainda não há dados científicos suficientes para afirmar que esse procedimento é totalmente seguro no médio e longo prazo. Nem todas as mulheres realmente devem ou podem interromper a menstruação devido aos métodos empregados, que aumentam os riscos de hipertensão, trombose ou AVC, doenças hepáticas (fígado) ou sistêmicas (como o lúpus eritematoso).

Alguns médicos, entretanto, optam pode sugerir a interrupção da menstruação em mulheres que, mesmo sem alterações fisiopatológicas, como anemia, distúrbios de coagulação, endometriose, TPM severa, doenças psiquiátricas ou neurológicas, sintam-se muito prejudicadas pelo fluxo mensal. Para isso utilizam algumas intervenções que sempre apresentarão prós e contras. No que diz respeito à fertilidade, não há alterações, pois, ao interromper o uso do método, a menstruação retornará ao normal, o tempo de normalização irá variar de acordo com o tipo e tempo de interrupção realizada.

Como parar de menstruar?

Existem algumas formas de interromper a menstruação:

Anticoncepcionais: pode-se usar pílulas compostas de estrogênios ou progestagênios sem pausa entre as cartelas. Esse é um dos métodos mais difundidos. Entretanto, efeitos colaterais como inchaço, celulite, perda de massa magra, varizes, hipertensão e tromboembolismo (que se agrava em mulheres fumantes ou acima de 35 anos) precisam ser salientados. Essa decisão deve ser orientada pelo ginecologista sob uma profunda investigação.

Injeções de Progesterona: outro recurso é a aplicação trimestral de injeções desse hormônio, que são vantajosas porque diminuem as alterações de humor. Seus riscos se referem ao aumento de peso, e quando utilizadas por um período muito elevado (anos) podem produzir diminuição da massa óssea, além de infertilidade por um período de até 18 meses após a interrupção do uso.

Implantes: são dispositivos colocados abaixo da pele, que liberam o hormônio durante meses e até anos, período em que as mulheres conseguem ficar sem menstruar ou diminuem o fluxo. O efeito adverso se dá por algumas pacientes responderem de modo contrário ao desejado, sangrando continuamente, o que torna necessária a remoção do implante.

Dispositivos intrauterinos (DIU): esse método também é muito utilizado e se baseia na aplicação em consultório médico de um dispositivo contendo hormônios que agem localmente reduzindo o fluxo. O DIU pode durar até 5 anos e sua vantagem consiste em não apresentar tantos efeitos sistêmicos, mas nem sempre irá interromper continuamente a menstruação, além disso, podem ter custo elevado e agravar as cólicas. Muitas mulheres optam pelo DIU hormonal por sua ação local e por reduzir o fluxo sanguíneo.

Então, mulheres, agora vocês já conhecem melhor os riscos e benefícios de parar de menstruar. Gostaria de reforçar que vocês só devem fazer sua escolha com o envolvimento de seu médico, que deve conhecer as especificidades de seu organismo, sua decisão de não engravidar, mas acima de tudo considerar o aumento de sua qualidade de vida.

Há ginecologistas que, seguramente, indicam a amenorreia, porém, afirmam que o risco se dá porque as mulheres fazem o uso de métodos antimenstruação por períodos muito prolongados, o que pode acarretar, sim, prejuízos imensuráveis a sua saúde. Pense nisso!