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Segundo a SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA (SVB), “É considerado vegetariano aquele indivíduo que exclui de sua alimentação todos os tipos de carne, aves e peixes, além de seus derivados, podendo ou não utilizar laticínios ou ovos. Entretanto, existem algumas variações de indivíduos vegetarianos, conforme sua dieta.”. De acordo com o “Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas para Adultos” da SVB, os termos mais comuns são: 

– Ovolactovegetariano (o vegetariano que utiliza ovos, leite e laticínios na alimentação); 
– Lactovegetariano (o vegetariano que não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios); 
– Ovovegetariano (o vegetariano que não utiliza laticínios, mas consome ovos); 
– Vegetariano estrito (também conhecido como vegetariano puro, não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação);
– Vegano (é o indivíduo vegetariano estrito que recusa o uso de componentes animais não alimentícios, como vestimentas de couro, lã e seda, assim como produtos testados em animais). 

Independente dos estilos de vegetarianismo citados acima, segundo o IBOPE, 10% dos homens e 9% das mulheres brasileiras se dizem vegetarianos. Existem pontos positivos e negativos com o uso desse tipo de dieta. Alguns estudos demonstram que a dieta vegetariana pode trazer benefícios, como nível sérico mais elevado de diversos antioxidantes, níveis de hipertensão e colesterol menores, glicemia e insulinemia mais baixas em jejum e maior sensibilidade à insulina, entre outros benefícios. 

Com relação aos pontos negativos, a dieta vegetariana estrita pode causar deficiência na vitamina B12, sendo indispensável sua suplementação. Uma precaução com relação a ingestão de óleo de peixe ômega 3 (W3) também deve ser tomada: Welch e colaboradores (2010) mostraram que indivíduos que fazer dieta estrita ingerem uma quantidade menor de W-3 quando comparados com indivíduos que comiam peixe, carne (sem ingestão de peixes) ou ovolactovegetarianos. Assim, indivíduos que fazem restrição de alimentos de origem animal podem se beneficiar com a suplementação com W3. 

Com relação à atividade física, é mais comum a utilização de fontes de origem animal. Isso se deve principalmente a dois fatores: Ingestão de aminoácidos essenciais e digestibilidade. De fato, alimentos de origem animal são mais ricos em aminoácidos essenciais, especialmente os BCAA’s. Esses aminoácidos essenciais são fundamentais para a construção muscular (especialmente o aminoácido Leucina), aumento de força e potência muscular e também para a recuperação após treinos intensos. Nesse quesito, alimentos de origem animal, especialmente o whey protein, levam vantagem com relação a alimentos de origem vegetal. Para se conseguir a ingestão necessária desses aminoácidos essenciais, é preciso uma combinação grande de proteínas de origem vegetal. Outro ponto importante são as ingestões de vitamina D, cálcio,  zinco  e  ferro, encontrados geralmente em alimentos de origem animal. Ou seja, associar a dieta vegetariana a uma suplementação proteica de origem animal torna-se uma boa opção para esportistas e atletas que sejam vegetarianos.

Com relação à absorção, realmente alimentos de origem animal (especialmente o whey protein) tem uma absorção melhor do que os de origem vegetal. Isso é levado em consideração principalmente pela chamada “janela de oportunidade”, momento após o treino em que nosso organismo capta melhor os nutrientes ingeridos, especialmente para recuperar o organismo após o treino. 

Em síntese, a dieta vegetariana trás seus benefícios, especialmente para a saúde. Associar esse tipo de dieta a uma suplementação alimentar pode trazer benefícios também para a performance esportiva.

 

REFERÊNCIAS 

Appleby, P.N., G.K. Davey, and T.J. Key, Hypertension and blood pressure among meat eaters, fish eaters, vegetarians and vegans in EPIC-Oxford. Public Health Nutr, 2002. 5(5): p. 645-54.

Rauma, A.L. and H. Mykkanen, Antioxidant status in vegetarians versus omnivores. Nutrition, 2000. 16(2): p. 111-9.

Fernandes Dourado, K., E.S.C.F. de Arruda Camara, and N.K. Sakugava Shinohara, Relation between dietary and circulating lipids in lacto-ovo vegetarians. Nutr Hosp, 2011. 26(5): p. 959-64.

Barnard, N.D., et al., The effects of a low-fat, plant-based dietary intervention on body weight, metabolism, and insulin sensitivity. Am J Med, 2005. 118(9): p. 991-7.  

Welch AA, Shakya-Shrestha S, Lentjes MA, Wareham NJ, Khaw KT. Dietary intake and status of n-3 polyunsaturated fatty acids in a population of fish-eating and non-fish-eating meat-eaters, vegetarians, and vegans and the product-precursor ratio [corrected] of α-linolenic acid to long-chain n-3 polyunsaturated fatty acids: results from the EPIC-Norfolk cohort. Am J Clin Nutr. 2010 Nov;92(5):1040-51

Nicastro H, Artioli GG, Costa Ados S, Solis MY, da Luz CR, Blachier F, Lancha AH Jr. An overview of the therapeutic effects of leucine supplementation on skeletal muscle under atrophic conditions. Amino Acids. 2011 Feb;40(2):287-300