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A composição básica dos energéticos disponíveis no mercado, de maneira geral, são constutuídos de substâncias como carboidratos, vitaminas, taurina, cafeína, creatina, inositol, citrato de sódio e gás carbônico. Alguns podem vir adoçados com maltodextrina ou adoçantes. Extratos de plantas também podem compor as fórmulas já comercializadas como ginkgo biloba, guaraná e ginseng. Atualmente, o grande diferencial de um energético é a presença de dois tipos de carboidratos: a sacarose e a dextrose. A dextrose é um carboidrato simples de rápida absorção intestinal, responsável em prover a energia inicial que o organismo poderá gerar energia. A sacarose não é um carboidrato simples, pois é constituída por dois tipos diferentes de carboidrato, a glicose e a frutose. Nesse último caso, a digestão não é tão rápida quanto a primeira, resultando em dois tempos absortivos, um imediato e outro em um tempo posterior. A presença desses dois tempos de absorção faz com que a utilização do carboidrato não ocorra de uma vez e sim de forma gradual, o que resulta na utilização do carboidrato por um tempo maior.

Qual a função de uma bebida energética?

As substâncias estimulantes presentes nas bebidas energéticas como cafeína, guaraná, taurina tem como principal função é o fornecimento de mais energia, através da estimulação do metabolismo. A cafeína atua como estimulante no sistema nervoso central, o que acaba resultando no aumento da atenção pela liberação de adrenalina e de cálcio, que auxiliam nas contrações musculares mais efetivas. A taurina tem a função de aumentar a resistência física e, também, de amenizar as consequências causadas pela depressão pós-álcool. A glucoronolactona é uma substância à base de glicose que ajuda na eliminação de toxinas exógenas e endógenas e que, em uma atividade física, atua como um desintoxicante, aumentando o desempenho físico e diminuindo a fadiga.

As bebidas energéticas hipertônicas têm o objetivo de estimular o metabolismo, ativando o estado de alerta do organismo, reduzindo o sono durante algum tempo. Essas bebidas tem uma função semelhante aos suplementos pré-treinos. Já as bebidas energéticas isotônicas têm como objetivo repor líquidos, carboidratos e eletrólitos. Uma vez que nutrientes podem ser repostos, o indivíduo sente-se mais disposto para dar continuidade a suas atividades. A literatura científica vem crescendo em trabalhos voltados aos benefícios das bebidas energéticas e de seus componentes, em particular. É importante que os profissionais da área da saúde envolvidos com alimentação busquem reais conhecimentos sobre este produto e seu consumo, principalmente por indivíduos sob estresse fisiológico, como os atletas, aos quais as bebidas energéticas, aliadas a treinamento e dieta adequada, podem ter caráter ergogênico.

Recomendações para ingestão de bebidas energéticas

Quando uma pessoa bebe energético, precisa levar em conta todos os alimentos que ingeriu ao longo do dia que também contenham cafeína, como café, chocolate, refrigerante com cola e chá preto. As pessoas começam a apresentar sintomas se consumirem acima de 250 mg de cafeína por dia – cinco xícaras de café de 60 mL, já atingem essa quantidade. Quem tem problemas cardíacos ou hipertensão arterial deve consumir uma dose menor. Por essa razão, as bebidas energéticas devem ser ingeridas esporadicamente, quando a pessoa estiver muito sonolenta ou cansada e precisar se manter alerta para uma atividade.

Energéticos podem ser consumidos em qualquer situação em que se deseja aumentar o metabolismo do organismo como na prática de exercícios, esportes, desempenho cognitivo, no trabalho e estudos. Quando ingeridos em pequenas quantidades, podem ser insuficientes para que o estado de alerta da pessoa seja restabelecido. Por exemplo, a cafeína só gera o efeito estimulante se consumida em uma proporção de seu peso corporal vezes três. Ou seja, um homem de 80 kg precisa consumir no mínimo 240mg para sentir os efeitos desejados, exceto em pessoas sensíveis aos componentes da fórmula. É importante ter em mente que existem certos limites que devem ser respeitados. Se ingeridos em excesso, os energéticos podem trazer alguns efeitos colaterais, como aumento do batimento cardíaco e insônia. Além disso, a cafeína acelera também a perda de cálcio, magnésio e potássio, o que pode facilitar a ocorrência de cãibras. Outro ponto importante é que como essas bebidas diminuem a absorção de cálcio pelo organismo, futuramente pode causar uma perda de massa óssea. O certo é manter um controle. Até o momento, não existem pesquisas que mostrem se os energéticos produzem efeitos colaterais no sistema neurológico e cardiovascular em desenvolvimento. Porém, já é comprovado que as bebidas podem elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial, causar distúrbios de ansiedade, gastrointestinais e insônia, como já comentado anteriormente.  É comum o uso recreativo de energéticos concomitante com álcool, que pode aumentar a diurese devido a presença de cafeína. Além disso, o efeito excitatório na primeira fase da ingestão de álcool pode se somar ao efeito estimulante do energético trazendo ao indivíduo uma falsa percepção do seu estado de vigília.  As bebidas energéticas em sua grande maioria, contém carboidratos, e estes possuem um importante balanço calórico positivo, permitindo sim um aumento do peso do indivíduo uma vez que o consumo esteja fora da ingestão recomendada.

Embora fabricantes de energéticos afirmem que os produtos são seguros, muitos especialistas estão alertando os pais sobre os riscos do consumo por crianças e adolescentes. Estas bebidas criam fortes dependências por serem compostos, na maioria, por cafeína e isso pode gerar consequências maléficas ao organismo. Desta forma, o consumo concomitante pode elevar os níveis de cafeína no organismo. O consumo excessivo de cafeína pode causar insônia, transtorno de ansiedade, gastrite, dor de cabeça, arritmia cardíaca, intoxicação e tremores. É importante que nutricionistas e médicos saibam avaliar o benefício do uso de energéticos, para que os riscos possam ser minimizados.

Referência bibliográfica:

Alsunni AA. Energy drink consumption: beneficial and adverse health effects. Int J Health Sci. 2015;9(4):468–74.